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· @Leonardo

O Senado aprovou o fim da escala 6x1, mas a mudança ainda não vale: o prazo só começa a contar quando o Congresso promulgar a emenda constitucional.

Isso não significa que a empresa pode esperar. Quem tem equipe em escala 6x1 vai precisar redesenhar turnos, calcular quantas horas faltam e decidir se contrata, redistribui ou paga hora extra. Essa conta é bem mais barata de fazer antes do prazo do que durante.

Neste artigo, o escritório Fonseca & Souza Domingos explica o que foi aprovado, quais são os prazos, o que muda na prática para o empresário e o que fazer desde já.

 

O que foi aprovado

A PEC 221/2019 acaba com a escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução de salário.

O caminho até aqui foi este:

  • Câmara dos Deputados (27 de maio de 2026): 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.
  • CCJ do Senado (2 de setembro): aprovou o relatório do senador Omar Aziz, que manteve integralmente o texto da Câmara.
  • Plenário do Senado (14 de outubro): aprovação por 75 votos a 1, nos dois turnos, segundo o resultado divulgado.

Como o Senado preservou o texto da Câmara, a PEC não precisa voltar para nova votação dos deputados. O próximo passo é a promulgação pelo Congresso.

 

Quais são os prazos

A transição é gradual e leva 14 meses depois da promulgação. Até lá, valem as regras atuais.

Quando

Jornada máxima

Escala

Até 60 dias após a promulgação

44h semanais

Regras atuais

60 dias após a promulgação

42h semanais

5x2 obrigatória

12 meses depois (14 meses no total)

40h semanais

5x2, com um dos dias de descanso preferencialmente aos domingos

Em nenhuma das etapas há redução de salário.

 

O que muda na prática para a empresa

O impacto central é a lacuna de horas: se cada pessoa trabalha menos, a operação precisa de mais pessoas-hora para ter a mesma cobertura.

Exemplo ilustrativo: uma equipe de 10 pessoas em jornada de 44h soma 440 horas por semana. Com 40h, soma 400. Para manter a mesma cobertura, faltam 40 horas semanais, o equivalente a uma contratação em período integral.

Para cobrir essa diferença, a empresa tem três caminhos:

  1. Contratar: custo fixo maior, mas operação estável.
  2. Redistribuir escalas: exige reorganizar turnos e funções, e pode demandar treinamento cruzado.
  3. Pagar hora extra: resolve no curto prazo, mas sai mais caro e tende a gerar passivo se virar rotina.

Não existe resposta única. O caminho mais barato depende do setor, do horário de funcionamento e do perfil da equipe, e só aparece depois de a conta ser feita.

 

Negociação coletiva e regulamentação

Parte das regras ainda vai depender de negociação e de regulamentação. O que vem sendo divulgado até agora:

  • Compensação de horários e redução de jornada continuam possíveis por acordo ou convenção coletiva.
  • Escalas especiais, como as de saúde, segurança e aeroviários, devem seguir sendo tratadas pelos sindicatos de cada categoria.
  • Acordos coletivos em vigor que não se adequarem à nova jornada podem perder validade 60 dias após a promulgação.
  • Pontos como o valor da hora do trabalho intermitente dependem de decreto de regulamentação previsto pelo governo.

Por isso, vale acompanhar a convenção coletiva da sua categoria e o decreto quando ele sair. O banco de horas e as regras de compensação também precisam ser revisados para conversar com a jornada nova.

 

Os erros mais comuns do empresário

O erro mais caro não é discordar da mudança, e sim tratar o prazo como problema do futuro. Os mais frequentes são:

  • Esperar a promulgação para fazer a primeira conta. A decisão passa a ser tomada às pressas.
  • Cobrir a folga a mais só com hora extra. Funciona por pouco tempo e encarece a folha.
  • Ignorar a convenção coletiva da categoria. Regras específicas do setor podem mudar o que vale para a sua empresa.
  • Manter o controle de ponto e os contratos como estão. Jornada nova com controle antigo gera risco de reclamação trabalhista.

 

Checklist: como se preparar desde já

  1. Mapeie as escalas atuais: quem trabalha em 6x1, em qual função e em qual turno.
  2. Calcule a lacuna de horas: quantas horas por semana a empresa vai precisar cobrir com a jornada reduzida.
  3. Compare os cenários: simule o custo de contratar, redistribuir turnos ou pagar hora extra.
  4. Revise o banco de horas: as regras de compensação precisam estar alinhadas à nova jornada.
  5. Leia a convenção coletiva da sua categoria: é nela que muitas regras específicas serão definidas.
  6. Atualize contratos e controle de ponto: os registros devem refletir a jornada e a escala novas.

Perguntas frequentes

O fim da escala 6x1 já vale? Não. A emenda ainda precisa ser promulgada, e os prazos contam a partir dessa data.

Haverá redução de salário? Não. O texto aprovado prevê a redução de jornada sem redução de salário.

Em quanto tempo a jornada chega a 40 horas? A jornada cai para 42 horas 60 dias após a promulgação e para 40 horas 12 meses depois, ou seja, 14 meses no total.

Minha empresa precisa contratar mais gente? Depende. A empresa pode contratar, redistribuir escalas ou pagar hora extra. O custo de cada caminho varia conforme o setor e o horário de funcionamento.

E as categorias com escalas especiais? As regras devem seguir sendo definidas por negociação coletiva e pela regulamentação. Vale acompanhar a convenção da sua categoria.

Acordos coletivos em vigor continuam valendo? Segundo o que foi divulgado, os que não se adequarem à nova jornada podem perder validade 60 dias após a promulgação. Esse ponto depende da regulamentação.

 

Conclusão

Concordando ou não com a mudança, a regra mudou. A diferença está em como a empresa chega ao prazo: com a conta feita e a escala redesenhada, ou correndo depois da promulgação.

Se você tem equipe em 6x1 e quer mapear escalas, simular custos e revisar contratos e banco de horas, a equipe da FSD Advogados pode ajudar. Fale com a gente pelo site fonsecaesouzadomingos.adv.br.

E para acompanhar conteúdo jurídico prático para empresários, siga o Instagram @fsd_advogados.

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